
Julgo ser este um ótimo momento para começar a escrever os primeiros traços de minha concepção antropológica, que eu julgava tão intrínsica e secreta, mas que num breve conflito social se mostra, na verdade, tão latente. Penso o ser humano de várias maneiras, mas em sua essência como um ser social incapaz de viver totalmente isolado e por isso dependente do saber conviver entre poucos e muitos, sem esquecer-se das necessidades pontuais de isolamento. Digo isso porque enxergo como necessário o tempo individual para reflexão sobre a enorme implicância do conviver sobre ser.
Cada encontro é um desvio. Cada encontro é um discurso. Disse um filósofo querido. Concordo e acordo, mais uma vez.
Interferir na constituição do ser do outro requer atenção, cuidado, empatia e muita, muita inteligência emocional. Isso porque eu também estou sendo interferida, e até sofrendo desta interferência. Mais inteligência emocional. Mansidão. Dominio próprio. Temperança. Será que existe mesmo chá natural capaz de conter essa velha natureza? Acho que conter não ajuda. Creio na transformação a partir do espírito. E reconheço que ainda sou uma criança em meu espírito. E isso se reflete em emoções, pensamentos e ações.
Muito há para crescer adiante, muitas projeções não projetadas trago ainda misteriosas a mim mesma, mas uma já tenho certa: quero participar, ser parte e ter parte, ouvir e ser ouvida, falar e ser falada, interferir e ser interferida, ainda que isso doa e gere o impulso deseperado pela solidão. Solidão para olhar de fora pra dentro e de dentro para fora. Solidão memorial, formativa e temporária.
Cada qual com seu tempo, cada passo em seu espaço, seja dado junto ou dado separado. Seremos nós mesmos o que representados somos? Isso só a onisciencia é capaz de afirmar. Eu só sei que nada sei. Mas muito busco. Viver. Saber. Ser.
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